Segunda-feira
21 de Setembro de 2026 - 
ADVOCACIA CRIMINAL, CÍVEL E FAMÍLIA - ITAIM BIBI

cadastro e - mails

Esse é o meio de se sintonizar conosco. Cadastre seu e - mail para receber nossos boletins periodicos.

Previsão do tempo

Hoje - São Paulo, SP

Máx
33ºC
Min
22ºC
Parcialmente Nublado

Terça-feira - São Pa...

Máx
33ºC
Min
23ºC
Chuva

Quarta-feira - São Pa...

Máx
33ºC
Min
24ºC
Chuva

Controle de Processos

Aqui você pode acompanhar os andamentos dos seus processos judiciais conosco.

Cotação Monetária

Moeda Compra Venda
DOLAR 4,85 4,85
EURO 5,32 5,32

Inclusão e escuta fortalecem acesso à justiça no território Kalunga

A escuta atenta como instrumento de inclusão marcou a inauguração do novo Ponto de Inclusão Digital (PID) na comunidade Kalunga de Engenho II, em Cavalcante (GO). O evento, realizado nesta segunda-feira (21/9), reuniu conselheiros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), representantes do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e lideranças locais, que destacaram tanto os avanços da iniciativa quanto os desafios históricos enfrentados pelo povo quilombola. A conselheira Jaceguara Dantas ressaltou que o acesso à Justiça, embora seja um direito constitucional, ainda não é assegurado a todos, especialmente em comunidades isoladas. Ela enfatizou a importância da presença do Judiciário no território Kalunga como forma de cidadania, lembrando vivências em Angola e no Mato Grosso do Sul — onde atua como desembargadora — que a marcaram profundamente. “Tudo isso renova a nossa esperança em dias melhores e de que o papel que podemos exercer é de construção coletiva, de respeito às comunidades e de diminuição da distância entre quem distribui a Justiça e seus destinatários.” O conselheiro Carlos Vinícius Alves Ribeiro fez uma retrospectiva histórica sobre Goiás, lembrando que o estado nasceu da exploração do ouro no século XVIII, extraído por mãos escravizadas. Após o fim das lavras, a população negra permaneceu e construiu uma sociedade própria, que hoje constitui o maior território quilombola do país. Para ele, o PID simboliza a inversão de uma lógica secular de exclusão. “O povo Kalunga esperou 200 anos pelo Estado. Não era justo que esperasse mais, e o Tribunal de Justiça fez o seu papel”, pontuou. Ao propor uma autocrítica do Judiciário, a conselheira Noemia Porto relembrou o questionamento de uma liderança local sobre o que a Justiça poderia fazer pela comunidade. Ela frisou que a presença do CNJ e do TJGO cumpre a missão essencial de aproximar a instituição das pessoas, e defendeu que os recursos naturais e o trabalho coletivo são as verdadeiras riquezas da região. “Hoje esse ouro, que é o ouro do futuro, é o da sustentabilidade, da proteção ambiental e da valorização do trabalho, que deve permanecer entre nós”, afirmou. Durante a visita, a conselheira Andréa Esmeraldo sublinhou o caráter histórico do evento, marcado pelo resgate da memória, pelo respeito e pela dignidade. Ela recordou sua visita ao Museu da Escravatura, em Luanda, Angola, e defendeu a atuação colaborativa. “Não há soluções simples, por essa razão a parceria institucional é fundamental para a efetivação de direitos”, disse. O conselheiro Fabio Esteves chamou atenção para a inversão da lógica tradicional do Judiciário, que historicamente atuava de forma distante das comunidades tradicionais. Para ele, a presença no território Kalunga representa um momento raro em que o Conselho Nacional de Justiça se senta junto aos destinatários das políticas públicas, ouvindo diretamente suas demandas e construindo soluções coletivas. “Hoje descemos dos nossos gabinetes e códigos para encontrar o direito real, aquele que traz pessoas à vida, à cidadania e ao lugar onde nunca deveriam ter saído”, afirmou. Presente ao evento, a secretária-geral do CNJ, Clara Mota, destacou que a participação do CNJ na inauguração do novo Ponto de Inclusão Digital em Engenho II representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo Tribunal de Justiça de Goiás e pelo projeto Raízes Kalungas. Ela ressaltou que é fundamental que o Judiciário se desloque dos centros urbanos para estar junto às comunidades que ainda enfrentam dificuldades de acesso à documentação e à cidadania. “O CNJ vem hoje aqui reconhecer e parabenizar tanto a liderança e altivez da comunidade Kalunga, quanto o trabalho do Tribunal de Justiça local de Goiás, que merece todos os elogios e todos os reconhecimentos”, afirmou. Inclusão digital No início da manhã, a comitiva do CNJ e representantes do TJGO e do Ministério Público do Trabalho inauguraram a sede própria do PID da comunidade Engenho II. No local, serão ofertados serviços essenciais como emissão de documentos (RG e CPF), atendimentos relacionados ao INSS e ao IPTU, além de orientações jurídicas. O presidente do TJGO, desembargador Leandro Piscinini, enfatizou que a nova estrutura resulta de um diálogo de confiança com os moradores. “Em 2024, abrimos uma porta no Engenho II. Agora, ela tem um endereço próprio. Do outro lado, o caminho até o direito ficou um pouco mais curto”, declarou. Até então, os atendimentos ocorriam em uma sala da escola local. A expectativa é dar maior visibilidade aos serviços. A partir do PID, a população poderá fazer encaminhamentos iniciais para casos de violência doméstica, acessar serviços eleitorais, realizar consultas processuais e emitir certidões. O ponto deve atender a cerca de 720 moradores da comunidade, além de microregiões como São Gonçalo, Chapada e Santíssimo. Evani Paulino dos Santos, assistente de secretaria da comarca de Cavalcante, afirmou que o PID se consolidou como um espaço de acolhimento e integração, contando com a participação de órgãos como o Ministério Público e a SEAGE. “A comunidade, que já vinha buscando os serviços, agora terá um ambiente adequado. Todos poderão ser mais bem recebidos em suas demandas”, avaliou. A instalação de PIDs em território quilombola integra o projeto Raízes Kalungas, que atua nos municípios goianos de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás. A rede nessas regiões soma sete pontos de inclusão, beneficiando 25 comunidades. Agente de Justiça Além de ouvir a comunidade, a comitiva avançou na construção do projeto Agente Comunitário Quilombola. A iniciativa busca formar lideranças locais capacitadas em direitos para atuarem como elo entre a população e o sistema judiciário. No encontro, a juíza auxiliar da Presidência do CNJ Adriana Melonio detalhou o programa desenvolvido no âmbito do Justiça Plural, realizado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). “O agente comunitário quilombola será uma ponte, levando conhecimento, direitos e fortalecendo a cidadania”, explicou. Juíza auxiliar da Presidência do CNJ Adriana Melônio em agenda na comunidade Kalunga. Foto: Gustavo Moreno/CNJ. A proposta dialoga diretamente com os PIDs, nos quais membros da própria comunidade atuam no atendimento, promovendo o protagonismo social. Escuta As lideranças locais aproveitaram a oportunidade para apresentar demandas urgentes. Carlos Pereira chamou a atenção para o racismo estrutural que atinge diariamente os quilombolas e cobrou maior compromisso das instituições na garantia de direitos. Ele defendeu a ampliação dos espaços políticos para mulheres negras, citando o exemplo das vereadoras Eriene Kalunga e Zita Kalunga, que atuam na Câmara Municipal de Cavalcante. O prefeito de Cavalcante, Vilmar Kalunga — primeiro quilombola eleito e reeleito do país, reforçou as barreiras históricas no acesso a serviços públicos e denunciou o preconceito contra lideranças locais. Ele pediu apoio para projetos estruturantes e defendeu ações voltadas às novas gerações, visando um futuro livre de discriminação. Por fim, o líder comunitário Damião Santos relembrou que, há dois anos, a comunidade questionava as atribuições do Judiciário em suas demandas, já que as cobranças costumavam se restringir ao Executivo e ao Legislativo locais. Ele destacou que a aproximação com o TJGO trouxe avanços concretos, como regularização fundiária e diálogo com órgãos federais. “Em nome da comunidade, agradecemos o olhar, a presença e a ação do Tribunal de Justiça dentro e fora do território Kalunga”, concluiu. Texto: Ana Moura Edição: Sarah Barros Agência CNJ de Notícias Número de visualizações: 49
21/09/2026 (00:00)
Visitas no site:  26676129
© 2026 Todos os direitos reservados - Certificado e desenvolvido pelo PROMAD - Programa Nacional de Modernização da Advocacia
Pressione as teclas CTRL + D para adicionar aos favoritos.